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O GIFI – Associação Portuguesa para a Investigação é uma associação privada sem fins lucrativos, criada em Novembro de 1976, cujo objecto é a investigação de carácter científico e a divulgação pública do resultado dos estudos realizados, tendo como missão trabalhar nas “fronteiras da ciência”, no sentido de termos em vista a realização de investigações sobre temas que se encontram nos limites (ou para além do limite) dos conhecimentos científicos actuais.

Somos uma associação totalmente independente, em termos sociais e económicos, bem como de orientação política, filosófica ou religiosa. Através do trabalho em equipa, da crítica construtiva, do debate constante, logramos abrir caminho à abordagem em comum de temas controversos, sem que se contenda com as convicções de cada um dos nossos associados.

A investigação de campo cedo nos fez cépticos, em face da evidência da singularidade dos verdadeiros mistérios, mas a cultura científica manteve-nos a mente aberta e a curiosidades aguçada relativamente ao muito que permanece inexplicado.

Muito do que fazemos actualmente é qualificável como uma antropologia, pois é o Homem -os seus anseios, crenças, tradições e dimensão simbólica – que constitui o cerne de boa parte dos nossos estudos, tanto na dimensão actual, como na perspectiva da História, mas continuamos a dedicar a nossa atenção às anomalias e outros fenómenos de “fronteira”, nomeadamente no âmbito da ovnilogia e dos fenómenos paranormais.

Tratando-se de uma associação aberta ao exterior, no que se refere à disponibilidade e interesse em manter contactos diversificados, importa tornar claro que o funcionamento do GIFI depende de um núcleo duro de associados, de número voluntariamente reduzido, fundamentado em relações de amizade e conhecimento pessoal sedimentados por várias décadas, pelo que a admissão de novos associados se encontra estritamente limitada, estando reservada a investigadores experimentados que se revejam nos nossos objectivos e manifesto, capazes de desenvolver projectos de investigação de forma autónoma.


O GIFI reserva-se o direito de apenas responder aos contactos que correspondam minimamente à sua forma de encarar os assuntos que investiga, nos termos do manifesto que apresentamos.


MANIFESTO

O GIFI encontra-se, deliberadamente, numa posição de charneira entre as visões cépticas e o universo da crença.

Não pretendermos, de modo algum, colocar em causa, criticar ou escrutinar crenças alheias que, antes de mais, respeitamos, mas sim de afastar, tanto quanto possível, as nossas próprias crenças individuais do processo de raciocínio desenvolvido durante a investigação.

Trabalhamos segundo os métodos da ciência, mas recusamos a “crença na ciência”.

De facto, na sociedade actual a ciência desempenha um papel de relevo, funcionando muitas vezes como o garante da veracidade de determinados acontecimentos e fenómenos, implicando naturalmente que tudo mais seja relegado para o amplo campo da imaginação e da crença humanas.

No entanto, devemos ser críticos relativamente a essa tendência natural. Uma explicação científica vale o que vale, no contexto em que é dada.

A ciência tem a sua linguagem própria, a sua forma particular de explicar a realidade, sendo que muitas vezes só se encontra acessível ou, o que é mais relevante, apenas é compreensível para uma pequena minoria.

Embora reconheçamos o inegável valor do método científico e do conhecimento que dele efectivamente resulta, entendemos que se deve manter o espírito crítico, pois quando nos aproximamos dos limites da ciência, num dado momento histórico, facilmente somos confrontados com as insuficiências do conhecimento positivado.

A aplicação do método científico a fenómenos mal conhecidos, particularmente quando o cerne destes reside em meras impressões subjectivas de alguém ou, de outra forma, quando o objecto de estudo se encontra pré – contaminado pela crença (popular ou erudita), suscita particulares dificuldades metodológicas e aumenta exponencialmente o risco de se produzirem tentativas de explicação que mais não sejam do que pseudo – ciência.

Com efeito, quando nos confrontamos com fenómenos que resistem ao seu enquadramento no campo do actualmente explicável, somos normalmente confrontados com dois tipos de abordagens: as que tomam como fundamento primeiro a sua inexplicabilidade, remetendo-nos para o sobrenatural, e as que apostam na possibilidade de efectiva explicação do fenómeno, ainda que nos limites da ciência, isto é, do conhecimento efectivamente disponível.

A nossa sociedade, ao menos em termos públicos, tende a valorizar cada vez mais a segunda via de abordagem do mistério, em detrimento da primeira, o que constitui de facto o caminho pelo qual o GIFI desde sempre optou.

No entanto, a verdade é que se recorre demasiadas vezes ao método e a técnicas científicas para apresentar pseudo – explicações, que não passam, quanto muito, de hipóteses de trabalho por demonstrar.

Hoje em dia, caso nos encontremos bem inseridos no meio académico e gozando de uma razoável popularidade, é fácil fazer passar essa pseudo – ciência por conclusões científicas sustentáveis, particularmente se se contar com a colaboração da comunicação social.

Parecem-nos exemplos paradigmáticos os seguintes, sem prejuízo do respeito pessoal que os visados nos possam merecer:

a) A investigação acerca dos supostos raptos por OVNI (consideramos desadequada a expressão “abdução”, se aplicada neste contexto e no português de Portugal). Quando se afirma algo parecido com “estou convencido da realidade dos relatos obtidos, mas não sei em que plano da realidade se inserem, podendo encontrar-se fora da nossa realidade”, estamos a falar de ciência ?
b) A parapsicologia. Quando se considera estar demonstrada a realidade das capacidades parapsicológicos (com eventual demonstração de fenómenos, mas não da efectiva compreensão das suas causas), passando a utilizar-se sistematizações e qualificações prévias, as quais são justapostas sem hesitações a todos fenómenos investigados, estamos na presença de método científico ?
c) O estudo do esoterismo, na História e na actualidade. Quando a maior parte dos investigadores são membros de organizações esotéricas, onde necessária (e legitimamente) vivem a sua dimensão individual da crença no Sagrado, estamos perante cientistas ?

O GIFI entende que o combate à pseudo – ciência passa essencialmente por uma postura de humildade e persistência, que nos possa impulsionar a voltar ao princípio tantas vezes quanto for necessário, a trabalhar por tanto tempo quanto o objecto de estudo o exija, até que, efectivamente, do método resulte a demonstração e desta uma conclusão que mereça tal designativo, por razões de rigor e de objectividade.

Clarificada a posição de fundo da nossa associação, valerá ainda a pena sublinhar que esta predisposição científica não nos retira a capacidade para sonhar, o gosto pelo maravilhoso e pelo fantástico. Há toda uma extraordinária cultura popular, tradicional e contemporânea, toda uma dimensão da história, da geografia e dos seres míticos, que muito desperta a nossa atenção. Certo é, porém, que o lugar do sonho e o do facto são diversos e não directamente comunicáveis. Apenas há, portanto, que saber não confundir a nuvem com Juno…

GIFI, Fevereiro de 2016


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