|Contactos|


 
A prevalência do pensamento mágico
- uma reflexão provocatória -

O tema deste texto não é, para nós, um final de caminho, antes uma hipótese de trabalho, porventura provocatória, para estudos futuros.

Não temos, portanto, uma tese para apresentar ou, sequer, conclusões que apontem definitivamente para a demonstração da prevalência do pensamento mágico. Contudo, o resultado de quase quarenta anos de investigações conduziu-nos ao Homem, como objecto principal do nosso estudo, sendo que nesta antropologia – se é que assim lhe podemos chamar – a magia surge como um elemento definidor do percurso humano, um traço distintivo ancestral que teima em ressurgir a superfície, mau grado a espectacular evolução do conhecimento humano durante os últimos dois séculos e, particularmente, na sequência da 2ª Guerra Mundial.

A ortodoxia do pensamento, na sociedade em que nos inserimos, ensina-nos que o pensamento mágico é algo de ancestral, próprio do homem primitivo e das suas superstições, que ao longo dos séculos foi paulatinamente ultrapassado pela religião e pela ciência. Assim sendo, perduraria apenas nas sociedades primitivas contemporâneas e entre os ignorantes.

Mas será de facto assim ?

Correndo o risco inerente à simplificação e generalização de matérias que, obviamente, merecem análise e debate mais profundos, valerá a pena tomar o positivismo do século XIX como um primeiro ponto de referência para o tema e apreço.

Embalados pelo triunfo da ciência e da técnica que permitiu a primeira revolução industrial, os filósofos positivistas elegeram o facto como o único elemento merecedor da atenção e pensamento humanos. Do racionalismo do século das luzes vinha-se agora desembocar num realismo absoluto, que sob a luz magnânima da ciência e através dos benefícios da técnica permitiria ao homem livrar-se das cangas ancestrais inerentes à crença e à superstição.

Mais, previa-se com total optimismo que rapidamente o conhecimento científico positivo tudo explicaria, não restando margem sequer para o desconhecido e para o mistério.

Contudo, o positivismo e demais excessos racionalistas de novecentos são eles próprios, antes de mais, a fonte principal do que denominamos como “crença na ciência”, fautora de novos obscurantismos, capazes de pseudo fundamentar múltiplos subjectivismos encobertos pelo sacrossanto manto da ciência.

É por isso mesmo que o século XIX foi berço ou cadinho de entusiásticas afirmações da ciência tais como o espiritismo, o magnetismo e o mesmerismo, bem como dos socialismos, do comunismo e outras utopias globais alicerçadas ou não no materialismo histórico.

Repare-se que não nos passa pela cabeça por em causa as crenças, ainda hoje bem vivas, por exemplo num espiritismo kardecista ou daqueles que ideologicamente professam o socialismo ou o comunismo.

É inalienável o direito individual às crenças e convicções que bem entendermos acolher.

A questão está, do ponto de vista de análise em que nos encontramos e beneficiando dos avanços no conhecimento entretanto ocorridos, que se tornou claramente criticável que tais teses e convicções se apresentem ainda como manifestações de uma verdade positiva e, portanto, objectiva, mediante pretensas demonstrações de carácter científico que simplesmente já não podem ser aceites enquanto tais.

São, portanto, matérias do foro individual, passíveis de amplíssima e profunda discussão quando apreciados de um ponto de vista objectivo. Trata-se de opções, de manifestações da vontade, de tentativas de explicação, mas não certamente de verdades incontestáveis e muito menos de leis científicas.

O positivismo motivou a sua própria contradição insanável, ao pretender dar o cunho de verdade científica, factual e absoluta, a simples manifestações do pensamento e imaginação humanas.

As teses positivistas vieram a falecer à mão do próprio desenvolvimento científico, cuja evolução durante o século XX e neste início de XXI, ao mesmo tempo que ampliou exponencialmente o manancial de conhecimento humano, foi sistematicamente tornando obsoletas as teorias que no momento imediatamente anterior faziam uma cátedra, o que permitiu igualmente tornar evidente que quanto mais sabemos, maior será a nossa convicção do pouco que conhecemos, tal é o número de novos e renovados mistérios com que paulatinamente nos deparamos.

Exactamente no fecho da década de 50 do século passado, Louis Pawels e Jacques Bergier publicaram uma obra fulcral para esta temática e para o estudo nas fronteiras da ciência, “O despertar dos mágicos” . A importância deste livro reside, quanto a nós, no facto de transcender com particular acutilância a crítica ao positivismo que acima sumariamos, enunciando de forma determinada a necessidade de contarmos com os domínios do mistério, do mágico, do oculto como elementos determinantes da natureza humana, exigindo portanto particular atenção por parte dos cientistas.

Uma vez mais simplificando a raciocínio e, assim, a exposição da nossa tese, vale a pena recordar que os domínios do mistério, do insólito, tinham já sido abordados no próprio contexto do positivismo numa outra obra chave para a nossa temática, “O Livro dos danados” de Charles Fort . Tratava-se, essencialmente, de uma resenha de factos insólitos e, eventualmente, misteriosos, colhidos de forma algo anárquica e acrítica, através de fontes diversas e de relatos da comunicação social. Esclareça-se que sendo os danados os excluídos, o autor teve em vista na sua obra o que define como a “… procissão dos dados que a Ciência excluiu.” .

De toda a forma, os fortianos - que ainda hoje existem – procuram revelar e elencar várias categorias de anomalias que consideram factuais, capazes por um lado de demonstrar que nem tudo o que ocorre neste mundo se reduz à rotina quotidiana, bem como, por outro lado, estar-se em presença do que Fort considerava dados demonstrativos da existência de outros mundos, vizinhos do nosso, dos quais naturalmente decorriam fenómenos que na terra consideramos anómalos.

Falando da ciência, Fort concluí desta forma “A sua aproximação aparente à consistência, estabilidade, sistema – positividade ou realidade – é sustida danando o irreconciliável ou o inassimilável-
Tudo estaria bem.
Tudo seria celestial-
Se apenas os danados permanecessem danados.” .

Se ao menos os excluídos não se imiscuíssem na realidade…

É curioso como esses “mundos para além das nuvens” de Charles Fort, ainda essencialmente materiais, podem agora, porventura, ser retomados no âmbito das teses dos universos paralelos e do multiverso, que a física mais avançada vai trazendo, ainda que sob forma teórica, para o contexto actual da ciência académica

Em “O Despertar dos Mágicos” Pawels e Bergier muito embora partindo de uma base semelhante – “Repito: o fantástico, a nossos olhos, não é o imaginário.” -vão mais longe que Fort, procurando demonstrar com base em múltipla documentação e dados factuais que o misterioso, o oculto, o esotérico, o mágico, não se resume a anomalias fortianas que, aqui e ali, interferem com a nossa realidade positiva, antes constituindo uma constante dos indivíduos e grupos humanos – da sua consciência e da sua acção-, que procuram (e que sonham) alcançar sempre mais longe do que o conhecimento científico positivado permite, em cada momento, desvendar.

Redescoberto o “espírito mágico”, os autores interrogam-se se naquela segunda metade do século XX estariam a começar a surgir as evidências de uma nova humanidade, de uma mutação do homem que conduzisse a um outro estádio do conhecimento, muito para além da ciência positiva. Vão ainda mais longe, colocando a hipótese desses novos homens já se encontrarem ocultos, mas disseminados, na sociedade coeva, organizados em grupos secretos – a Rosa Cruz, dizemos nós, que desde o século XVII seria exactamente isso, ao menos para determinadas correntes esotéricas.

Ainda que assim não fosse, Pawels e Bergier rematam dizendo que “O homem da psicologia clássica e das filosofias correntes está ultrapassado, condenado à inadaptação. Quer haja mutação ou não, é outro homem que convém entrever para ajustar o fenómeno humano ao destino em marcha.” .

Apenas mais uma utopia, de entre as várias que se revelaram no século XX, algumas das quais motivando até ou pelo menos amplificando terrivelmente conflitos e guerras por todo o globo ?

Independentemente da resposta a esta questão, é certo que foi esta a matriz que definiu o essencial dos estudos de fronteira até aos anos 80, período a partir do qual começou a pesar como nova pseudociência muito de quanto se disse e escreveu acerca dos OVNI, da primi-história e seus “deuses astronautas”, da parapsicologia e assim por diante.

Ressurgiu então, no âmbito dos estudo de fronteira, uma novo cepticismo, consciente de quanto o mistério - enquanto fenómeno - é raro, mas determinado na recusa de um neopositivismo que nos fizesse regressar a um cientismo castrador. É essencialmente nesta linha que o GIFI, precocemente, se integrou.

Valerá a pena regressar a Jacques Bergier, que numa outra obra – “Os extraterrestres na história”, originalmente editada em 1970 – deu um passo em frente muito curioso, ao afirmar “Não creio absolutamente nada em discos voadores …” . Chocando, desta forma, a visão ainda essencialmente materialísticas e, diríamos, inconscientemente positivista da maior parte dos cultores do insólito, Bergier abre a porta a uma outra visão do Universo e, assim, da explicação das anomalias, remetendo para a comunicação (e as viagens) por teletransporte, através de “… partículas ou radiações que se propaguem a velocidade praticamente infinita…” para que se pudesse “… enviar sinais de um extremo a outro da galáxia e talvez mesmo a outras galáxias.” .

Do nosso ponto de vista, o ciclo a que nos vimos referindo encerrou-se com o dealbar do mundo digital, com a revolução das tecnologias de informação e comunicação que transformaram o mundo de forma radical durante as últimas duas décadas do século XX e nestes 16 anos do novo milénio.

É bem certo que o digital constitui apenas um meio para fazer de novas formas coisas tão velhas como o mundo, ainda que, é bem certo, muito mais barato e de forma exponencialmente mais rápida. A revolução da informação não criou um novo mundo, antes concedeu-nos novos meios e uma inédita democratização dos mesmos, com uma amplitude nunca antes vista. Globalizou, de facto, a existência humana, a todos os níveis.

Contudo, é verdade que esta revolução trouxe consigo fenómenos muito perturbantes para o nosso tema, ao menos aos olhos de quem, como nós, somos anteriores à revolução digital ou, pelo menos, à generalização dos seus efeitos.

Como discutir facto e mistério, prova e aparência, a realidade e a sua ampliação no contexto tecnológico actual ?

Vivemos em pleno pós-modernismo, no qual a verdade comunicacional, a realidade transmitida e difundida, é a única que vale, mesmo que contrarie, que descole totalmente da verdade factual. No limite, o que temos hoje é uma etérea, efémera e ruidosa “civilização do espectáculo” , em que nada realmente vale a menos que produza um dado efeito de entretenimento na sociedade … e enquanto o produzir.

Ao mesmo tempo, avançamos a cada dia que passa para uma realidade ampliada, na qual inclusivamente podemos assumir outra face, uma diversa personalidade, radicalmente tornarmo-nos outro ser e assumirmos uma outra vida através de um avatar digital, com uma capacidade cada vez maior de se autonomizar relativamente à nossa realidade física.

Há algumas décadas, no domínio do mistério ansiava-se por uma prova cabal, demonstrativa do fenómeno alegado – a fotografia ou o filme de um OVNI, de uma entidade espiritual, do monstro do Loch Ness. Hoje em dia manipula-se praticamente sem limites a fotografia e o vídeo, pelo que de que valem, então, tais meios como prova ? Tanto quanto historicamente sempre valeu a palavra de uma testemunha, isto é, pouco, muito, nada, de acordo com o juízo de quem ajuíza humanamente, pois como homens não o podemos fazer de outro modo.

Acresce que a disponibilidade permanente de câmaras de vídeo e de fotografar, em qualquer local, permite nos nossos dias retractar e divulgar mundialmente factos em escassos segundos, muitas vezes em directo. Dos aviões do 11 de Setembro, ao tsunami no Japão, da primeira Guerra do Golfo aos atentados de Paris, os exemplos não faltam. Os últimos 25 anos mudaram totalmente a forma como retratamos e divulgamos a realidade.

O “olho que tudo vê” das câmaras de segurança de uso generalizado, o “repórter em cada esquina” que é o cidadão dos nossos dias, armado do seu smartphone, tornam evidente que por esta via não passámos a dispor de um manancial adicional e relevante acerca das anomalias, do insólito, exigindo antes que renovemos a conclusão – que há tantos anos sustentamos – no sentido de que o efectivamente misterioso, o desconhecido é raro, talvez raríssimo.

O dado passo no famoso filme “Encontros imediatos do 3º Grau” , enquanto os representantes das forças armadas americanos, numa conferência de imprensa, tentam justificar e explicar a sucessão de observações de OVNI que estavam a ocorrer, um dos jornalistas presentes atira, sem resposta, que não havia provas fotográficas de tais observações, mas que também não as havia da queda de um avião, muito embora os acidentes de aviação fossem acontecimentos relativamente vulgares.

Hoje temos múltiplas imagens e sequências filmadas documentando trágicos acidentes, mas continuamos a não dispor de claras e indisputáveis fotografias ou filmes de OVNI.


Não foi, pois, a generalização destes meios tecnológicos que permitiu, nestes últimos anos, avançar decisivamente na revelação de fenómenos, ditos insólitos, que há tanto tempo excitam a curiosidade e a imaginação humanas. O mistério contínua a iludir a técnica e, para mais, a verdade digital é de tal forma plástica que verdade e sonho, objectivo e subjectivo, se vão confundindo a cada dia que passa, gerando uma realidade multiforme em permanente mutação.

Se o positivismo não logrou tudo explicar, se o universo teima em não se reduzir ao facto, se igualmente o evoluir do conhecimento e da técnica colocada ao dispor da população mundial também não permitiu, ao menos decisivamente, abrir-nos vias de acesso, claras e inequívocas, para fazer luz sobre as anomalias e os mistérios, afinal onde nos podemos situar ?

Necessitamos, porventura, de aceitar com determinação o que efectivamente somos enquanto sujeito da realidade, para melhor compreendermos como o Universo nos chega de forma necessariamente subjectiva e que, portanto, o conhecimento vale em si próprio, se for intelectualmente honesto, mas que verdadeiramente não nos revela uma objectividade.

Ou, talvez de outra forma, que a partir das nossas posições subjectivas, vislumbramos por vezes traços de objectividade, que a sempre renovada procura de um maior e mais amplo conhecimento, logo de seguida, nos volta a fazer perder de vista, conforme as fronteiras da ciência humana se vão, repetidamente, alargando.

É aqui que entronca, estamos em crer, a prevalência do pensamento mágico.

O pensamento mágico, tal como o entendemos, tem tudo que ver com a vertente espiritual da condição humana, a qual, se pretendermos depurar o conceito e para se evitar um qualquer choque com as dimensões individuais da crença, podemos qualificar diferentemente como a nossa dimensão individual psíquica, isto é, com a componente do nosso pensamento, do nosso funcionamento cerebral, que transcende claramente a dimensão estritamente física da nossa existência.

E falando de espiritualidade, forçoso se torna, antes de mais, recordar que enquanto a religião visa a salvação, a união do indivíduo com o seu deus, geralmente manifestada numa vida futura, não terrena, a magia tem que ver com o poder de transformar e de conformar a realidade, com a capacidade que alguém adquire de agir sobre o Universo, nos seus mais diversos planos.

Será este o sentido último de definições de magia tais as que, a título meramente exemplificativo e exploratório, podemos adiantar:

Refere Mircea Eliade que no âmbito do Zoroastrismo os Magos eram a “Classe de sacerdotes dos antigos Medos. Presidiam aos sacrifícios e expunham os cadáveres às aves de rapina e às intempéries. No mundo helenístico os Magos terão a reputação de serem depositários de uma sabedoria oculta.”.

Para P. G. Maxwell-Stuart, numa tradução livre da nossa lavra, magia pode ser definida, de forma sumária como a “crença em que os seres humanos são capazes de controlar, coagir e manipular as forças ocultas da criação, quaisquer que estas sejam, através de técnicas rituais.” , sublinhando ainda que os três principais objectivos da magia são “contactar forças superiores, sejam estas divinas, naturais ou demoníacas; exercer poder para além do que as suas capacidades naturais poderiam usualmente possibilitar; e usar esse poder tanto em seu próprio benefício, como para benefício de outros ou ainda para satisfazer um impulso maligno, seja este próprio ou emanado de outra pessoa.”.

Na colectânea de textos organizada pelo referido P. G. Maxwell-Stuart, da qual constam as passagens que acabámos de transcrever, é apresentado um excerto de uma obra do jesuíta e inquisidor português Benito Pereira (numa obra de 1591, “Adversus Fallaces et Supertitiosas Artes”), na qual este distingue a “Magia Natural, na qual maravilhas são criadas pelos artifícios individuais de certas pessoas, que fazem uso de coisas naturais.” e a “Magia Não-Natural que invoca espíritos maus e usa o seu poder para as suas operações” a qual pode ser subdividida em “Teurgia, Goetia e Necromancia”.

Ainda na mesma obra , o compilador dos textos assiná-la, a nosso ver correctamente, que “A feitiçaria é uma forma de magia e as feiticeiras são quem executa a feitiçaria.”. Repare-se, feitiçaria no sentido da palavra inglesa “witchcraft”, que nos remete para a “wicca”, tão em voga no nosso tempo.

Parece também claro que Magia e Kabbalah se encontram intimamente relacionadas, no âmbito do que poderemos definir como o esoterismo ocidental.

A este propósito, sintetiza P. G. Maxwell-Stuart (mais uma vez em nossa tradução livre) “A palavra “Kabbalah” deriva do hebreu qabbalah significando “tradição”. Há várias formas pelas quais pode ser soletrada: “Cabala” é uma outra. Kabbalah é a técnica de ler e interpretar a Bíblia, especialmente o Pentateuco...” “... também envolve o conceito chave do que é conhecido como a “Árvore da Vida”, uma estrutura simbólica constituída por dez emanações do divino, com dez nomes, atributos, poderes e diversos caminhos entre si, todos expressando uma noção de Deus em mundos ou planos sucessivamente mais elevados. A contemplação destas emanações, ou Sephiroth, conduz não apenas a um maior entendimento da natureza de Deus, que, em contrapartida, conduz o Kabbalista cada vez mais perto de uma visão de Deus ele mesmo, mas também a um mais detalhado conhecimento das diferentes formas nas quais os poderes divinos operam através dos vários mundos. Este conhecimento pode ser utilizado pois os nomes que o sujeito encontra no decurso da sua contemplação são nomes de poder e a habilidade para reconhecer e manipular estes nomes concede uma imensa e potente autoridade à pessoa que tenha dominado esta técnica. A importância da Kabbalah para a magia, em consequência, dificilmente pode ser exageradamente afirmada.”.

Já para William Wynn Westcott , um dos fundadores da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Hermetic Order of the Golden Dawn), maçon dos mais ilustres, membro da Sociedade Teosófica e Mago Supremo da SRIA (Societas Rosacruciana in Anglia), “A Alta Magia do verdadeiro rosa-cruz é o conhecimento de como perceber, com os poderes mentais do homem inferior, os reflexos irradiados pelo homem espiritual para guiá-lo e instruí-lo.” ou, em resumo “... a Sabedoria Espiritual é a verdadeira Alta Magia...” .

De forma bem mais sumária e com refinado sentido de humor, Aleister Crowley no seu artigo “The revival of Magick” refere-se à magia – que denomina “Magick” – dizendo que a mesma “... pode ser definida para o nosso presente propósito como a arte de comunicar sem meios óbvios.”

Também Fernando Pessoa, nos seus múltiplos escritos e reflexões, muitos dos quais sobre matéria espiritual e esotérica, discorreu acerca da magia. Com base nas recolhas realizadas no espólio pessoano, Yvette K. Centeno transcreve a seguinte passagem do texto “A Ordem do Subsolo” (espólio 54-97):

“Se esses ensinamentos occultos são verdadeiros, ou apenas especulações abstrusas, é outro problema. Se os hierophantes do occulto teem, na verdade, maior conhecimento da verdade pura do que nós profanos, que a buscamos, se a buscamos com a leitura, ou a meditação, ou a inteligência discursiva e dialéctica – não o podemos nós saber. Tudo isso pode ser sinceramente criado pelos iniciados e ser falso. O occulto pode ter hallucinações próprias, enganos seus.

Seja como for, o certo é que os ensinamentos ministrados nos mysterios abrangem três ordens de coisas: 1) a verdadeira natureza da alma humana, da vida e da morte, 2) a verdadeira maneira de entrar em contacto com as forças secretas da natureza e manipulá-las, e 3) a verdadeira natureza de Deus ou dos Deuses e da creação do mundo. São, respectivamente, o segredo alchimico, o segredo magico, e o segredo mystico.”

A mesma autora dá-nos ainda a conhecer esta outra passagem do poeta (espólio 54-33/37):

“A obra de magia contém trez elementos, ou antes são trez as obras de magia: 1) o conhecimento e conversação do Santo Anjo da Guarda, 2) o conhecimento (atravez d’elle) dos Deuses acima d’elle, regentes do Seu mundo, 3) o uso ou auxílio d’esses Deuses nas operações sobre nós e sobre os outros.”

E, ainda numa citação com a mesma origem , veja-se a seguinte reflexão do poeta acerca da iniciação (Espólio 54ª-52):

“There are three distinct types of initiation – symbolic or outer, intellectual (outer of inner), and vital (inner). In the symbolic initiations, which reinforce the will and therefore lead to Magic as attainment, the candidate does not pass through stages of understanding, but through stages of intuition, so to speak; he is continually on the surface and appearance of things, and, though he attains the highest degree in whatever order or orders he goes through, that highest degree need not correspond (generally does not correspond) to anything like a parallel degree in any other of the inner initiations. In the intellectual initiations, which reinforce the intellect and therefore lead to Mysticism as attainment, the candidate passes through stages of understanding, but not through stages of life; he may know much, but he need not live that which he knows on the same level as he knows it. In the vital initiations, which reinforce the emotion and therefore lead to Alchemy as an attainment, the candidate lives that which he feels and knows.

(Is this right ? Do not rather these initiations differ on another score, whereas the difference between Magic, Mysticism and Alchemy (what of Gnosis ?) lies on another plane of interpretation ? Are not these initiations rather physical, etheric and astral ? (or, perhaps, etheric, astral and spiritual, or astral, mental and spiritual ?)

- Possibly there are three modes in which initiations can be interpreted: (1) the three ways of attainment, magical, mystical and Gnostic, (2) the three stages of attainment, Neophyte, Adept and Master, (3) the three degrees of attainment, astral, mental and spiritual.”

Israel Regardie, um dos discípulos de Crowley e que foi seu secretário pessoal, sintetiza de forma interessante que “… magia é um sistema mnemônico e psicológico em que os detalhes cerimoniais quase intermináveis, as circum-ambulações, conjurações e sufumigações visam exaltar a imaginação e a alma, com a plena transcendência do plano normal do pensamento.”.

É evidente que Regardie está a pensar essencialmente na magia cerimonial, fulcro das escolas mágico-esotéricas a que esteve ligado, mas remata com algo que define em amplíssima medida o pensamento mágico a que nos pretendemos referir “... uma busca espiritual e divina, o que se pode definir como tarefa de autocriação e reintegração, conduzindo a vida humana a algo eterno e duradouro.” .

No limite mais elevado, o mago torna-se deus ou, se assim o preferirmos, ascende até ser igual a deus no seu poder de agir sobre o mundo, ainda que sem o poder criador originário da divindade.

E como se revela o pensamento mágico, na nossa experiência comum ?

Pensamos que de formas múltiplas, abrangentes e por vezes inesperadas.

Assumindo os riscos evidentes de recorrermos a uma casuística, será certamente essa a melhor forma para tentarmos ilustrar o tema a que nos propusemos neste texto.

O pensamento mágico é de tal forma prevalente, que chega a trair aqueles que se-lhe abandonam. A história real, se bem que quase ridícula, que ilustra esta afirmação decorre de uma investigação realizada em meados dos anos noventa do século passado, acerca dos ritos mágicos que regularmente são realizados – ainda o são actualmente – na capela do Senhor da Pedra, à praia de Miramar, logo a Sul de Vila Nova de Gaia.

Acontece que um taxista da região costumava colaborar com uma bruxa bastante popular na região – mantinha à vista de todos cães amarrados no jardim de sua casa, fazendo-os passar privações até morte, para castigar os espíritos que tinha forçado a infestá-los -, transportando os consulentes para a sobredita capela, por ocasião da prática dos ritos encomendados.

Para melhor convencer as pessoas da gravidade da situação que viviam, o taxista ia simulando, pelo caminho, avarias inexplicáveis do seu carro, que repentinamente o faziam parar ou diminuir a marcha. E a “mulher de virtude” ia dizendo “Veem ? Tal é o poder dos espíritos malignos que vos atormentam que até conseguem fazer parar o carro. Se não recorressem a mim …”.

Ao que apurámos a bruxa tinha enriquecido a olhos vistos com as recompensas da sua profissão, ostentando bons carros e fazendo-se, até, acompanhar de guarda-costas durante as visitas nocturnas ao Senhor da Pedra, o que, aliás, tivemos oportunidade de constatar in loco.

Pois a verdade é que recolhemos este depoimento na exacta medida em que o taxista, a dado passo, se veio a incompatibilizar com a bruxa, com quem tinha laços familiares próximos, … porque gastou uns milhares de contos para que ela lhe resolvesse determinado problema pessoal, sem qualquer sucesso !

Nem a colaboração directa nos embustes da mulher lhe fez perder a crença nos seus poderes mágicos.

Quer isto dizer que o pensamento mágico decorre da ignorância ? Porventura sim, em alguns casos, mas claramente não de forma necessário ou, sequer, maioritária.

Nos antípodas do crédulo taxista de Gaia estão, por exemplo, os neopaganistas dos nossos dias, que professam crença religiosa politeísta, no âmbito da qual a prática mágica tem um papel preponderante.

Temos vindo a acompanhar e estudar este movimento desde há alguns anos, tanto em Portugal, como em termos internacionais.

Sendo seu objectivo o de revisitar da “antiga religião”, que os neopagãos sustentam ter permanecido viva, se bem que oculta, em meios populares por toda a Europa, pese embora as perseguições movidas pelos cristãos, o neopaganismo pretende promover uma actualização – que não uma mera reprodução – de práticas religiosas ancestrais, sedimentadas em divindades com múltiplas origens geográficas e históricas, visando um paganismo moderno e conforme à vida do século XXI.

Depois de ter conhecido uma primeira pujança nos anos 60, de alguma forma em relação com o movimento hippie e após a revogação da legislação britânica que proibia a feitiçaria, o neopaganismo, particularmente na sua vertente wicca, veio a beneficiar de ampla divulgação desde início do milénio, muito através da Internet e com reflexos em determinados grupos de jovens, mais ou menos integrados numa cultura urbana gótica.

Esta sinopse é, admitimo-lo, muito redutora, mas transmitirá ao menos os traços gerais de uma realidade religiosa e mágica socialmente minoritária, mas que se centra numa população urbana com elevado grau académico, com contactos internacionais relevantes e com uma postura social moderna e exigente, nomeadamente em termos ecológicos.

Estamos portanto a pensar em realidades minoritárias, sem expressão social relevante, particularmente em termos dos centros de poder ?

Pensamos que a resposta é negativa, em ambos os casos.

Ligação ao poder têm, por exemplo e como bem sabemos, as obediências e lojas maçónicas, tantas vezes até de forma que se pode considerar criticável, tanto do ponto de vista da cidadania, como das próprias regras da maçonaria.

Ora maçonaria e magia são realidades comunicantes.

O trabalho maçónico de companheirismo e a iniciação na Ordem, por si sós, não são necessariamente mágicos. É, contudo, um facto que a maçonaria vai beber a todas as correntes esotéricas, herméticas e oculistas com relevância no ocidente, sendo por vezes uma quase pastiche de todas essas heranças, pelo que a magia e, em particular, a magia cerimonial também aqui assume relevância.

Mas, mais do que isso, será porventura relevante recordar que muitos maçons desenvolvem, na maçonaria, em ordens internas desta e noutros contextos não necessariamente maçónicos, actividade ritualística mágica.

Políticos, professores universitários, profissionais liberais, sacerdotes, empresários e assim por diante, assumem em muitos casos o paradigma da magia, como um dos elementos estruturantes da sua actividade esotérica.

No caso português esta realidade tornou-se particularmente evidente desde que ressurgiu a chamada maçonaria regular, no início dos anos 90 do século XX, onde a elementos desiludidos do Grande Oriente Lusitano (maçonaria dita irregular) se vieram juntar elementos das mais variadas áreas do esoterismo português, da Rosa Cruz à alquimia, da eubiose ao saudosismo lusitano com carácter místico e assim por diante.

Também o nosso enorme poeta Fernando Pessoa se interessou e estudou muito profundamente o esoterismo, tendo nomeadamente aprofundado de forma notável matérias ligadas à cabala, o que, dizemos nós, certamente o ajudou a chegar à magia cerimonial.

Nesta linha, à porta do anos 30 de novecentos, Pessoa estabeleceu contacto directo com Aleister Crowley, personagem controversa, mas que passa por ter sido um dos maiores magos do seu tempo, iniciado da Ordem Hermética da Aurora Dourada e líder da sua posterior refundação denominada Astrum Argenteum, bem como, aliás, da ordem mágica denominada Ordo Templi Orientis.

Estamos convencidos, em face das provas existentes, de que Fernando Pessoa foi admitido por essas correntes como Irmão (Care Frater, como é tratado na correspondência com Crowley, que se encontra publicada), muito embora esteja por demonstrar que tenha praticado ritualmente a Alta Magia. Mas é certo, pelo menos, que aceitou e desenvolveu o pensamento mágico, em sede intelectual e iniciática, como o atestam as passagens de sua lavra a que acima nos referimos.

Crowley é ainda hoje uma figura tão incontornável, que ainda existe a casa onde residiu no início dos anos 20 em Céfalu, na Sicília, e onde criou e procurou desenvolver uma comunidade mágica e de amor livre.

De facto, em 2010 tivemos oportunidade de visitar o local, de que tantas vezes tínhamos tido referência nos nossos estudos. Para nosso espanto, viemos a constatar que em plena zona turística e de veraneio, junto a diversos empreendimentos modernos e de um estádio municipal … se encontra ainda a dita casa, abandonada e ostentando restos das pinturas feitas pelo mago em pleno estado alterado de consciência. Tal é o medo que Crowley inspira no local, tal a evidência que, pelos vistos, ali assume a magia praticada naquele local, que 90 anos depois da “Abadia de Thelema” ter sido encerrada e de Crowley ter sido expulso de Itália pelas autoridades mussolinianas, ainda ninguém tem coragem para recuperar a casa ou, sequer, para a demolir e assim apagar da memória viva dos homens.

Diga-se, a propósito, que a Alta Magia ocidental contínua bem viva hoje em dia, tendo evoluído inclusivamente para o que podemos apelidar de uma versão pós-moderna, a “chaos magic” – magia do caos ou caos mágico, se preferirmos .

Nesta forma de magia ocultista, bem actual, o mago pode livremente cultuar e abordar em termo rituais quaisquer deuses ou forças … mesmo que oriundas da ficção. São conhecidos, nomeadamente, os cerimoniais de magia direccionados aos deuses do universo ficcional do escritor norte-americamo H.P. Lovecraft.

A justificação é simples: se o mago alcança os seus resultados, ainda que cultuando forças ficcionais, quer dizer que teve sucesso, que a magia funcionou. Dizem até, algo cinicamente lógico “Os deuses de Lovecraft não existem ? E os demais, quem demonstra a sua existência ?”

Parece-nos uma forma simplesmente espectacular de cruzamento entre a racionalidade e… o pensamento mágico !

Bom, mas então a magia interessa também aos cultos, poderosos e modernos, mas ainda assim não se aplica à maior parte dos cidadãos? Pensamos que a resposta só pode ser negativa, pois é uma realidade que atravessa transversalmente a sociedade.

Como explicar de outra forma o elevadíssimo número de pessoas que recorre aos serviços profissionais de magos, feiticeiros, mulheres e homens de virtude, pais de santo, astrólogos e tantos mais ?

De forma assumida ou, se calhar, ainda as mais das vezes de forma discreta, sem por isso dar a cara, quanto são os que honestamente podem dizer que nunca sentiram, pelo menos, a genuína curiosidade de ver o seu destino esclarecido pela via mágica ? Ou que em face das dificuldades da vida sentiram necessidade, de uma forma ou de outra, de encontrar resposta e consolo no transcendente ?

O que afirmamos revela-se igualmente na prática religiosa.

A secura intelectualizada de uma boa parte da Igreja Católica Apostólica Romana pós Concílio Vaticano II está em boa medida, julgamos nós, na origem do sucesso das múltiplas novas igrejas, mais ou menos cristãs, que se foram vulgarizando pelo mundo, Portugal incluído.

A salvação da alma pode ser alcançada pelo crente na prática religiosa que consideramos ortodoxa do ponto de vista social, mas os anseios, medos e o sofrimento humanos, no dia adia não encontram resposta suficiente por essa via.

Necessitam da magia, do poder de intermediação com as forças que, seja lá qual for o nome que lhes dermos, podem no imediato curar uma doença, emendar um casamento falhado, dar um paliativo ao falido. O homem comum, na sua efectiva humanidade, necessita, como desde sempre aconteceu, de algo mais que a beleza das escrituras, depende de respostas animicamente efectivas para as dúvidas, anseios e dificuldades da sua vida. E não apenas em situações limite, mas também para poder ir convivendo com muito do que é quotidiano e trivial.

Perdoem-me se vos chocamos, pois não é essa a intenção, mas é também por isso que mesmo no seio da Igreja católica há fenómenos como o de Fátima, bem como, já mais longe da ortodoxia sacerdotal actual, casos como o dos cultos a corpos incorruptos, de múltiplas e variadas práticas que vamos vendo ocorrer, aberta ou dissimuladamente, em redor e, por vezes, bem no interior de templos e de santuários católicos. Por exemplo em Vera Cruz de Marmelar, Portel, onde um pedaço (suposto) do Santo Lenho permanece como meio activo da prática de exorcismos.

E no caso dos protestantes, que de alguma forma reformaram o culto cristão mediante a depuração de tudo quanto não é directamente crístico, nomeadamente as devoções especialmente relevantes a Santa Maria e aos múltiplos santos da Igreja ?

Bom, uma vez mais simplificando, nos países protestantes uma boa parte do pensamento mágico veio a divergir da prática religiosa ortodoxa, revivendo no ocultismo. Não é por acaso que a Rosa Cruz, tal como hoje a conhecemos, surge no século XVII no centro da Europa. Não há que estranhar que a maçonaria, as linhagens mágico-ocultistas a que anteriormente fizemos referência, bem como, aliás, a alquimia, tenho surgido ou, pelo menos, renovado a sua expressão e destaque, com reflexos e aceitação sociais muitas vezes sem par com o que ocorre nos países de maioria católica, nas regiões onde o protestantismo fez valer as suas teses de forma determinante.

E quanto do pensamento mágico é determinante para o funcionamento dos mercados de capitais, para a férrea crença em ideologias várias (sejam elas ditas liberais ou socialistas), para o vigor e pertinácia com que continuamos a procura a Justiça, quando deveria ser evidente que a lei é um mero instrumento humano, para uma “justiça” inevitavelmente administrada por homens falíveis ?

Verdade ou fantasia, uma certeza porém nos assalta, na feliz expressão recente de um nosso amigo, em conversa sobre estes temas: sem pensamento mágico o Homem seria incapaz de evoluir, não haveria criação, nem arte. Será isto porventura – e não certamente a racionalidade – que nos distingue dos animais e que portanto, em última instância, nos qualifica como Homens.

Lisboa, 7 de Fevereiro de 2016
(originalmente apresentado em conferência na Sociedade Histórica para a Independência de Portugal a 16 de Maio de 2013

Pedro Basto de Almeida

_______________________________________________________________________________________________________________

Louis Pawels e Jacques Bergier “O despertar dos mágicos”, 11ª edição, Livraria Bertrand, Lisboa, Março de 1980.
Charles Fort, “O Livro dos Danados”, Via Optima, Porto Setembro de 2000. A edição original data de 1919.
Op. cit. pág. 3.
A INFO – International Fortean Organization (1961 até à actualidade), que se reclama continuadora da original Fortean Society (1931/1959), pode ser encontrada em http://www.forteans.com/.
Charles Fort, op. cit. pág. 13.
“… sobre o superoceano, há planetas regularizados, mas que também há mundos vagabundos.”, op. cit. pág. 176.
Louis Pawels e Jacques Bergier, op. cit. pág. 27.
Op. cit pág. 542.
Jacques Bergier “Os extraterrestres na história”, Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 1977, pág. 157.
Op. cit. pág. 167.
Mario Vargas Llosa, “A civilização do espectáculo”, Quetzal, Lisboa, 2012.
De Steven Spielberg, 1977.
Mircea Eliade e Ioan P. Couliano , “Dicionário das Religiões “, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1993, pág. 282 e 245.
P. G. Maxwell-Stuart , “The occult in early modern Europe – a documentary history”, Macmillan Press LTD, Londres, 1999, pág. 115.
Op. cit. pág. 121.
Op. cit. pág, 117.
Op. cit. pág. 171.
Op. cit. pág. 137.
R. A. Gilbert (organizador), “Maçonaria e Magia – Antologia de escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott, Fundador da Ordem Hermética “Golden Dawn””, Editora Pensamento, São Paulo, 2003, págs. 53 e 54.
Aleister Crowley, “The Revival of Magcik and other essays” New Falcon Publications, Tempe, 1998, pág. 13.
Yvette K. Centeno “Fernando Pessoa: magia e fantasia”, Edições ASA, Porto, 2004, págs. 34 e 96.
Op. cit., pág. 55.
Op. cit. pág. 107.
Israel Regardie “Magia hermérica – a árvore da vida. Um estudo sobre magia”, Madras Editora, São Paulo, 2003.
Dave Evans, “The history of british magick after Crowley”, Hidden Publishing, 2007.